Embora mantenham uma relação de amor platônico com o governa- dor Eduardo Campos (PSB), os tuca nos mantém uma distância regulamentar do bloco governista. O que não impede que em vários locais do Estado sejam costuradas alianças informais ou “brancas” com o PSB. Graças, sobre tudo, à proximidade entre Eduardo e o presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra.
E nesse cenário pré-eleitoral, um nome desponta com força suficiente para se firmar como liderança do PSDB na Região Metropolitana: o atual prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Elias Gomes. Depois de governar por três vezes o Cabo de Santo Agostinho, ele migrou para a cidade vizinha em 2008 e saiu vitorioso das urnas.
Agora, se prepara para disputar uma reeleição que pode se consolidar de forma tranquila, dependendo do destino da pré-candidatura do deputado estadual João Fernando Coutinho (PSB). Depois de transferir seu domicílio eleitoral de Água Preta na Mata Sul para Jaboatão, o parlamentar tem tentado pavimentar seu nome rumo à prefeitura.
Mas o aval do Palácio do Campo das Princesas à postulação depende dos índices que ele vier a garantir nas pesquisas que antecederão à convenção do partido, no final de junho. Caso contrário, a benção do governador poderá recair sobre Elias Gomes, firmando mais uma dobradinha PSB-PSDB no Grande Recife.
O atual prefeito tucano, aliás, tem asas bem longas. Seu grupo político extrapola as fronteiras de Jaboatão para se consolidar como liderança tucana na RMR ex-deputado estadual Betinho Gomes (PSDB), filho de Elias, segue seus passos. Mas ao contrário do pai, que goza da simpatia do Palácio, disputará a prefeitura contra o atual vice-prefeito Vado da Farmácia, candidato do PSB apoiado pelo PTB do prefeito Lula Cabral. Em Moreno, outra cidade vizinha a Jaboatão, o ex-prefeito Vavá Rufino (PSDB), ex-secretário de na gestão de Elias, tenta assegurar um quarto mandato na prefeitura, também em confronto direto com o PSB, que já lançou a pré-candidatura do gerente de Articulação Política do Palácio, Adilson Gomes Filho. Não bastasse sua preocupação em se fortalecer para o pleito deste ano, Elias também pensa a longo prazo.
Não é à toa que vem, ainda que discretamente, preparando seu secretário de Obras, Evandro Avelar, presidente regional do PSDB, para a sucessão de 2016 em Jaboatão.
Embora tenha nascido como um partido essencialmente de classe média e, portanto, com origem na capital, o PSDB ganhou mais musculatura a partir do interior do Estado. Particularmente na Zona da Mata, onde venceu o maior número de eleições. Em 2008, foram eleitos 19 prefeitos pela sigla, que recentemente perdeu três para outros partidos.
Mas somente nos últimos dois pleitos municipais (2004 e 2008) os tucanos conseguiram galgar algum espaço metropolitano, e este ano se preparam para tentar abocanhar uma fatia maior de poder do Grande Recife.
As duas forças, segundo ele, não são tão antagônicas quanto se possa imaginar. Há um canal de diálogo permanente entre tucanos e socialistas a respeito de possíveis alianças locais no Estado. “Temos conversado muito e vamos conversar mais, passar um pente fino na situação (eleitoral) do Estado”, afirma. Guerra só não revela o conteúdo das conversas, que também têm acontecido entre os presidentes estaduais dos dois partidos, Sileno Guedes (PSB) e Evandro Avelar (PSDB).
Embora a cada dia circulem mais informações sobre acordos firmados com o Palácio para a retirada de algumas candidaturas em determinados municípios em troca de apoio em outras cidades, Sérgio Guerra garante que esse tipo de articulação não existe. “Somos dois partidos com praticamente as mesmas origens. Por isso, conversamos muito e fazemos alianças pontuais, mas sempre respeitando os limites um do outro. O fato é que o PSDB atualmente representa a principal oposição ao PT em nível nacional e local, e isso nos favorece, nos ajuda a crescer. Mas jamais colocamos o PSB no mesmo pata Guararapes. No Cabo, por exemplo, o municipais.
Do JC
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